quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dois!


Indiscutivelmente o número 2 me faz problemas sempre houve algo de bonito nessas questões... esse nosso corpo é duplicado, em todos os sentidos. Nós temos dois olhos, dois ouvidos, dois pulmões, duas mãos.  Precisamos socialmente de uma outra pessoas para fazermos um par, um par que se comunique, que se incremente, e que se faça com duas pessoas um laço! Há  algo muito especial nos braços e nos abraços... eles formam mais que pares de braços, forma laços em pessoa! E, para essa nossa conversa, caro, nós também temos dois braços.
Duas pessoas que se afetam, duas pontas de laço, dois pares de braços que se abraçam... dois anos de blog! Bom, tenho que confessar, e que o destino propôs, o aniversário do blog foi ontem, dia 2 de maio! Mas aqui estou eu a reavivar esses dois anos de intensa vivencia, de real sentimento sobre este meu maior mimo!
Que de dois em dois, nós, eu e vocês, pares nesse mundo, reavivamos esses nossos laços!
Abraços entrelaçados de braços a nós! 


Andressa Virgínia

domingo, 22 de abril de 2012

Sinos de Vento.


Indiscutivelmente, o lugar pra onde vou tem cheiro de chuva. Este meu céu nublado não nega minhas raízes. Eu vim do solo úmido, do vento frio, vim das coisas difíceis. Respondo mal. Sou grossa. Meus escândalos, tão vulneráveis, falam mais sobre mim do que eu mesma, do que meus escritos... do que essas palavras desconexas em um discurso de um sujeito que ainda não sabe a quem agradecer.

Quando volto, refaço-me. Quando volto, sinos de vento me recebem da sacada de uma varanda desconhecida. São eles que me reconhecem. Não há julgamentos, não há fins
.
Eu ando escrevendo pouco, e caminhando sozinha muito. Deve estar aí à resposta. Caminhar sozinha demais cansa.  No entanto, caríssimo, é ora de reorganizar o discurso, alinhar a postura, esquecer a doença.

É hora de voltar a escrever.

Andressa Virgínia 

sábado, 3 de março de 2012

Carta a um amigo distante.

Caro amigo,

Quando Abril chegar, quero que chegues também. É chegada a hora de estreitar os laços, e ouvir as vozes. Há muito mais distancia entre nós, do que um dia eu pude supor. E a quilômetros também. Muitos. Se a vida tem sido complicada, saibas que não estás completamente solitário nessa jornada. E se a vida é de fato, complicada, saibas também, que não fizeste esta descoberta sozinho. A vida está sendo complicada para todos. No entanto, caro, há momentos em que devemos celebrar. E não há graça nem beleza celebrar emudecido. Por isso eu quero que venhas logo. Mesmo que, para que tu possas vir, demore uns dias, talvez semanas.
Penso, que na tua jornada de volta, possas enxergar muita névoa no caminho. É normal. É necessário vencer a escuridão de uma noite triste, para que o sol possa brilhar novamente. Também entendo que tu possas vir com várias cicatrizes, de outrora. De anos na distancia, de quilômetros que nunca foram vencidos, mas aqui, caro amigo, há pessoas dispostas a ajudar e a contar tuas cicatrizes, para que juntos as coloquemos em papel.
Mas para que tu possas vir em paz, é preciso que venhas desarmado. Não existe rancor deste lado. E a única pessoa capaz de estagnar tua evolução és tu mesmo. As palavras já foram ditas, e uma vez ditas, jamais retornam. Por isso, para que tu inicies teu retorno, é necessário que venhas sem malas, sem pesos, sem documentos. Existe algo muito peculiar nas tomadas de decisões. Por mais que escutemos as vozes alheias, no final, a decisão é unicamente tua, e de mais nada adiantará as opiniões de outros. Mesmo assim, caro amigo, quero que retornes. Cedo, ou tarde. Hoje ou amanha. Porque não importa mais o que o rio já levou. Novas águas sempre limpam antigas pedras. E o que mais me importa, nesse instante, é saber que Abril chegará, e tu também.

De outro, que muito te estima.

Andressa Virgínia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

indefinições.

‎"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando [...] Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada. Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro... "


[Clarice Lispector]


Por hora a gente vive do que escreve. Bota pra fora as dores, as cores e os devaneios. Até porque não teria a menor graça escrever sobre o cotidiano comum. Bom mesmo é ver as palavras brilharem, é sentir o incomodo das pessoas...
Queria Deus eu não me importasse. Queira Deus fosse realmente simples. A verdade, é que não gosto de simplismos. Sou sagitariana, sou feita de excessos.  

Andressa Virgínia

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Ano do Dragão.

Este é um relato atemporal de mim mesma. Não há personagens, não há outras vozes. Há um grito. Um grito de quem iniciou o ano do dragão com muitas historias para contar. Esta pessoa que escreve poderia sim, ser considerado um personagem, no entanto, há implicações que me elevam a patamares maiores que este. Há sangue nas veias, e dor. Muita.
Eu cai. Literalmente. Meus pensamentos caíram, minha voz caiu, um grito afogado de lágrimas e más interpretações foi o que me restou. Alias, há de restar. Essa historia não tem final, aguas que não são de março, mas sim de dezembro, retrocederam. Dezembro, um mês que não volta. Assim como a musica cantada, e as palavras ditas, que uma vez dita são tatuagens dos ventos, só existem na respiração e na memoria das pessoas.
No entanto meu caro, meu êxtase não está em encontrar outras pessoas, não está em deitar-me a relva de ares quentes. Meu êxtase está no escrever. No sentir faltar-me sangue nas mãos, elas estão frias, como se eu escrevesse e morresse ao mesmo tempo, o que, de fato, existe. Escrevo para morrer em mim. Só assim renasço em outras vidas, com outros ventos.
As vezes, quando se torce o tornozelo, torcem-se outras coisas. E nesse vai-e-vem de quedas e dor, a gente acaba ficando mais tempo do que se esperava. A gente desfaz e faz mais laços que planejava. E passa madrugadas esperando acordar e ter um bom motivo para continuar.
Há muito no que aprender na solidão. Porque não há solidão quando aprendemos a estar-em-si. A viver-de-si. Mesmo que não existam bons almoços nos dias que se seguem. Eu si disso, porque eu sou isso. A incoerência difícil de dias difíceis.
E Deus, na sua infinita existência, presenteia-me todos os dias com o dom da possibilidade. Sim, caro, eu cai. E as dores de quedas como essa são bem ruins e dolorosas, no entanto, eu já estou pronta. Para cair novamente quem sabe, mas não para aguentar as mesmas desculpas, os mesmos relatos fracos. Eu tenho mil e uma cicatrizes. Mais uma, é mais uma história. E mais uma história é mais uma cicatriz, eis o preço que eu pago para pode enxergar com mais clareza, para poder crescer.
Eis o ano do dragão. Eis o fim e o inicio. Dezembro de fim e Janeiro de inicio. E agora é Fevereiro, e o carnaval, há de fazer-me bailarina de mim.

“[...]Passo as tardes tentando lhe telefonar...
Cartazes te procurando,
Aeronaves seguem pousando, sem você desembarcar[...]”

Andressa Virgínia

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Epifania em Dezembro.

Dizem que o mês de Dezembro é um mês de clichês. A verdade, é que no mês de Dezembro, as pessoas se dão conta de que o tempo está passando e que não viveram metade de vida que queriam. Eu, congestionada de afazeres, de responsabilidades, nem me lembrava mais das lindas lembranças que este mês me presenteava.
Então, eu fui empurrando pra frente, escondendo de mim, calcificando e transformando em pedras, os meus sentimentos. E foi no dia 18 de Dezembro, que cai. Cai em mim. Caramba é Dezembro! E no meio da multidão de uma praça cheia de luzes, me senti só. Olhei para o céu, e a lua cheia e cintilante, sozinha também, era a única que entendia meu pesar. Olhar para o céu era a única opção... e como se fosse mentira, vi ao longe uma estrela cadente. Pequena, franzina, quase sem luz. Começou e terminou entre um piscar de olhos. Eu era como aquela estrela, faltava-me luz pra riscar o céu escuro. Faltava-me forças pra segurar as muralhas que querem me engolir diariamente.
Lembrei-me em um sobressalto; “O pedido menina, faz teu pedido!”. Não consegui me concentrar pra pedir qualquer coisa, lembro-me, antes de voltar, que pensei em ter mais vida, em viver mais cores... pensei em tranquilidade. E então, um filme correu em cenas velozes em minha mente. As risadas, as lágrimas, as saudades. Tudo de uma vez e ao mesmo tempo... de repente ali, tudo fazia muito sentido. Acordei.
Acordei, e no meio da multidão, um pequeno coro catavam músicas de Natal antigas. Estavam cantando uma canção que minha mãe me cantava na infância. Aí não pude segurar as lágrimas. Ali, em poucos minutos, vivi meu melhor Dezembro, meu melhor Natal.

Andressa Virgínia


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Tempo e o Rio.

"Mas o tempo é como um rio

Que caminha para o mar
Passa, como passa o passarinho
Passa o vento e o desespero
Passa como passa a agonia
Passa a noite, passa o dia
Mesmo o dia derradeiro
Ah, todo o tempo há de passar
Como passa a mão e o rio
Que lavaram teu cabelo..."
Maria Bethânia


Eu tenho realizado comigo, uma nova filosofia. Vive-se um dia de cada vez. Um dia. As coisas acontecem à medida que tem que acontecer. Imagine o que aconteceria se fossemos capazes de mudar o curso de um rio? Desastre maior iria acontecer, com certeza. O rio tem que correr naturalmente, os dias tem correr naturalmente. Nem eu, nem você, nem todas as pessoas do mundo são capazes de mudar um curso em evolução.  
O ser humano é um ser em evolução. Faz parte da historia de vida da sua espécie. Há na humanidade, e na amizade, traços puros de união, de evolução. Se vivemos em tempos de crise, a resolução está nas nossas próprias ações. Faz-se necessário unir, acoplar, colar, viver em calor humano. Se aquele ditado que diz “Uma andorinha só não faz verão” dou-me licença poética e o modifico a minha forma; “UM CORAÇÃO QUENTE E SOZINHO NÃO FAZ VERÃO”. 

Andressa Virgínia