Mostrando postagens com marcador Poetisar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poetisar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sagitário



E então você chegou. Forte, imponente, metade gente metade cavalo. Chegou pra me recordar de um passado que nunca tive. E lá você de novo mexer no que me esforcei tanto pra esquecer. Você vem fazer ventania nos meus pensamentos, me fazer dançar, e, acredite me fazer pensar em destruir um império, só meu, que construí através dos anos. Eu sei bem do que você é capaz. Você é liberdade pura. Teimosia, valentia, exagero, arrogância, vento no rosto e sereno da noite. Você é lua minguante que sorri pra mim. Você é aquilo que me roubaram, você me rege até sem querer.  E quando você vem, passa como um furacão, forte, determinado e presente. E fica. Fica em mim durante semanas, impregnado como perfume barato, torturante como música ruim. Você fica pra me fazer lembrar que esse mundo não me pertence. Você fica pra me fazer lembrar que você não me pertence. E assim como o verão maltrata meu sertão, você vai maltratando meus dias, que ficaram descoloridos depois que você chegou, e saiu. Você vai e eu fico. Vai ser sempre assim. Não se engane.
E eu sei bem do que você é capaz, e tenho medo disso. Tenho medo de entrar nesse turbilhão de cores que é você. De entrar, não poder mais sair, me enganar, me perder, me arrepender. Eu sei bem quem é você. Você sou eu, Sagitário. Você sou eu porque eu também sou Sagitário. Sagitário tem disso. Tem necessidades de doses cavalares de vida todos os dias. Mas Sagitário não quer só viver. Quer um viver mais-que-perfeito. Então, você que é pura liberdade, vai de encontro aos meus dias de rotina cinzentos. Mas você passa. E eu, eu tenho que ficar.

Andressa Virgínia 

terça-feira, 10 de julho de 2012

A Casa Vazia


Não é de se estranhar que ela seja assim. Ela diz que prefere a casa vazia, que prefere ouvir seus próprios passos, ela deseja falar só. Porque ela só consegue se concentrar no silencio do vento que invade o quarto e embala seus sonhos.

Ela que vivia na colorida presença cheia da gritaria diária, prefere hoje, colorir seus dias ao sabor da ventania das janelas, prefere concordar, acordar e discordar de seus pensamentos, e acha muito digno, dar nós bem apertados nas tristezas e jogá-los pela janela, onde os carros correm em suas corridas contra o tempo. Quando a casa está vazia ela canta junto com os pássaros canções que nunca ouviu.

E essas janelas desta casa silenciosa, sempre estão abertas. Para o entra e sai da ventania das palavras, e dessas poesias de uma (des)poeta.  E não creia, caro, que assim ela é infeliz, ao contrario! Ela é bem feliz assim. Vai entender? São coisas da vida...

Andressa Virgínia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

indefinições.

‎"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando [...] Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada. Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro... "


[Clarice Lispector]


Por hora a gente vive do que escreve. Bota pra fora as dores, as cores e os devaneios. Até porque não teria a menor graça escrever sobre o cotidiano comum. Bom mesmo é ver as palavras brilharem, é sentir o incomodo das pessoas...
Queria Deus eu não me importasse. Queira Deus fosse realmente simples. A verdade, é que não gosto de simplismos. Sou sagitariana, sou feita de excessos.  

Andressa Virgínia

terça-feira, 21 de junho de 2011

A um ausente.

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 7 de maio de 2011

Prepara-te


Querido, prepare a mesa, hoje temos visitas.
De todas as rotas, todos os ventos, teu nome vem dançar nos meus ouvidos.
Então prepara-te.
Prepara-te para correr de alegria, para sofrer de desgosto e para te quebrar, até.
Mas coração, nem te preocupes com isso. Sou tão cicatrizada que uma pancada a mais ou a menos
nem se sente mais.
Mais prepara-te. O vestido colorido já está a tua espera. A nossa espera.
Esperando em flores douradas um dia inesquecível.
Princesas contemporâneas vão à guerra sem esperanças.

Andressa Virgínia

domingo, 16 de janeiro de 2011

Coisas de Flor Bela...

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
 
Florbela Espanca

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dor.

Autopsicografia

                                    O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.

 Fernando Pessoa



Todo artista sente dor. É uma dor que não se explica apenas se senti. E uma vez sentida nunca acaba... é uma dor perseguidora que atinge o intimo da sua alma e lá se aloja como um parasita. É uma dor inflamada, latejante... ouso até em dizer que essa dor sentida, é viciante.
“Seus sinais, sintomas interferem no comportamento do individuo durante toda sua vida” – disse um médico ao olhar a face colorida do palhaço.
“É vírus? Bactéria?” – perguntaram aflitos os repórteres que entrevistavam o médico.
“Nada disso meus caros, a dor que os artistas sentem, é a dor dos APLAUSOS!”
Essa dor, viciante, aguda e interminável... são os aplausos tão procurados... que como droga elevam o artista a apoteose divina. Elevam ao patamar de deus-humano. É o que eles buscam, a perfeição. 







quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um versinho, uma música e um coração.

"É o que me faz ser brilhante!
é o que chama meu coração!
Aquilo que arde e flameja...
Em pequenos versos inacabados
cantar essa dor se ser inacabada!
De ser autêntica
E de ser feliz."







"Baby you're a firework
Come on let your colors burst
Make 'em go "Oh, oh, oh!"
You're gonna leave 'em fallin' down-own-own
Maybe you're reason why all the doors are closed
[...]
So you could open one that leads you to the perfect road
Like a lightning bolt, your heart will blow
And when it's time, you'll know"
 

só para iluminar uma tarde nublada.

#feliz2011 :D

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pra falar de Dezembro.

Já era 20 de Dezembro e eu ainda não tinha me dado conta de que o Natal estava se aproximando. Quando percebi o real significado deste esquecimento enchi os olhos de brilho e lembrei-me; mamãe ainda não havia colocado as luzes de Natal no jardim de casa, ela estava sempre muito atarefada com os preparativos da ceia, e deixara as luzes para as vésperas. Ao chegar em casa depois de um dia cheio de atribulações, engarrafamentos urbanos e pessoas insensatas, as luzes no jardim já estavam acesas. Senti-me em  confortável. Era Natal de fato, e a minha tradição era clara; tomar chá quentinho no jardim, iluminada pelas luzes de mamãe, e da lua se apresentava fofucha e brilhante e que me presenteara, ao dar o ar de sua graça, durante os dias chuvosos e frios que perduravam naquela semana.

Minha rua era tranquila, e ao longe, podia-se ouvir o barulho de crianças nas praças. Entre os gritos e correrias típicas da infância, ouvi claramente a voz de uma menina; “Vó, Papai Noel existe! Eu sei, eu vi!”
Aquilo de alguma forma me paralisou. Pousei a xícara de chá sobre a mesinha de madeira do jardim, levantei os olhos e sem poder piscar, um filme passou, intenso e cheio de cores, em minha mente. Era Natal de fato. Eu havia me esquecido o quanto essa festa me dava intensa alegria na infância, havia me esquecido dos biscoitos de vovó Valentina, que especialmente nessa data, saiam do forno de hora em hora, e que iam encher meus olhos de açúcar. 

“Orar, agradecer e celebrar”. Era o que vovó sempre dizia. “Natal é isso Vitória, é simples. Natal é tempo de estar com a família, agradecer os bons ventos, orar para Aquele que nasceu nesta festa, pois é só Dele e para Ele o motivo de tanta celebração”. Vovó me ensinara tudo aquilo, e eu teimosa e desobediente, atendendo aos caprichos da vida atribulada, havia esquecido.

E na noite fria, uma brisa quente me abraçou naquele instante. “Vovó está lá em cima, me cuidando”, pensei.
E sob as luzes de Natal de mamãe, fechei os olhos, e a teimosia dos dias atribulados, puderam enfim me deixar. “Estou segura”, pensei. E agora, e acima de todos os fatos, era Natal.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

(In)Constância.

Sê constante me distrai.
Afeta-me até os últimos fios de cabelo,
A distração de ser sempre, e sempre, adormece as pernas.
Tira luz dos olhos.
Por isso;
Sou inconstante, fluida.
Assim como as águas que correm por entre os dedos,
Como restos de luz a entrar nas venezianas da minha janela.
Luz da lua que gira. Como fases.

Andressa Virgínia





terça-feira, 5 de outubro de 2010

Pra passar o tempo...

Ah! Os relógios 

(Mário Quintana)

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna somente por si mesma é dividida: não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida - acaso lhes indaga que horas são...

domingo, 25 de julho de 2010

Identidade.



Eu sou como o sol que brilha, sem pedir nada em troca
distribuo luz por onde passo...
Eu sou como os pássaros que não sabem aonde vão...
mas sabem que um dia chegarão.
Eu quero mais, mais que antes, mais que ontem
sou intimamente feita de retalhos de sorrisos alheios...
E você? Sabe que dia é hoje?


Andressa Virgínia

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
    Fernando Pessoa

sexta-feira, 9 de julho de 2010

(Re)inventar.

Reinvenção
 
A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles