domingo, 23 de agosto de 2015

27 de agosto.

Dia 27 de agosto é o dia do psicólogo. Antes de me tornar uma profissional, uma formação rigorosa foi-me ofertada, uma formação as vezes dolorida, as vezes confusa, as vezes injusta. No entanto, uma formação que me concedeu a oportunidade de ser uma profissional ética e comprometida com os ideais de uma psicologia que comtemplasse a escuta qualificada para os sujeitos que a procuram.  Durante a rotina diária do meu trabalho tento entender esta posição controversa que é a psicologia nas políticas públicas do país. Tento compreender essa jornada de trabalho desconexa que não considera a própria saúde deste profissional comprometido a escutar os diversos sofrimentos que afligem essa imensa aventura dolorida que é viver. Tento compreender estes baixos salários que muitos gestores oferecem a estes profissionais esperando em troca verdadeiros “milagres”, milagres que só a psicologia pode conceder. E tento compreender a luta. Esta é a luta que travo todos os dias para continuar comprometida com esta profissão que amo tanto, mas que é tão doída, tão desvalorizada e mal compreendida. Isso as pessoas não veem. Isso elas não podem desconfiar, pois sobre esta ciência insana repousa um suposto saber de que nós sabemos mais do que aquele que sente uma tristeza psíquica imensa, que nós sabemos e temos condições sobre-humanas de solução e de que conseguiríamos manter em nossos ombros uma sociedade plenamente reta e ética.
Porém, este texto não é só construído de uma lamentação histérica. Devo dar a outra face para a potência que é ser psicóloga. Atrás destes baixos salários, desta carga de trabalho exorbitante repousa tranquila a força de uma profissão que elege para si a compreensão do imperfeito, do que não pode ser explicado, por aquilo que foge à medicina e a ciência da exatidão. A psicologia anda na contramão. É revolucionaria. Ela não deve ter religião, cultura, partidarismo ou gêneros. Pois ela pode transitar tranquilamente entre todas as culturas, todas as religiões, procurar compreender quaisquer formas de posicionamento partidário e não favorecer gênero algum.
Eu posso enxergar um futuro brilhante para esta profissão. Uma formação que se inicia nos bancos universitários e jamais termina porque jamais nos escapa a falta, o buraco, o não-saber. No entanto, temo que esta pode ser destruída pela ganancia daqueles eu exigem uma produção, exigem horários grandiosos de trabalho, exigem milagres. Esta profissão é para quem suporta o indizível, o insuportável, aquilo que ninguém mais acredita. Ela não é mensurável, quantificável. Ela é o que é; equivoca e linda.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Birra.

Sempre acreditei ter sido uma criança que viveu uma infância deveras tranquila. Nunca ouvi relatos da minha família com afirmações do tipo; “menina tu eras danada demais!” Ou do tipo, “as coisas tinham de ser da tua vontade, era a criança mais birrenta que já conheci”. Não. Fui uma menina tranquila. Aqui ou acolá fazia um charminho, ia para um canto e fechava a cara. Fechar a cara eu fecho até hoje, então fica tudo certo.
Hoje, depois de adulta, deparo-me com birras próprias de menina mimada. De bater o pé no chão e espernear por qualquer coisa. Deparo-me chorando à toa por não conseguir algo bobo. Fico fitando as baboseiras que penso em voz alta na esperança de que “algum adulto” venha me socorrer.
E foi aí, meu amigo, que me ocorreu a pior coisa. O remorso da perca de tempo. Enquanto eu ficava parada fazendo a birra, chorando besteira, a vida fluía no seu curso. O tempo evaporava. Os processos me passavam e eu não percebia. Via-me com 5 anos no canto da sala porque negaram-me um pirulito antes do almoço.
Então parei. Parei de espernear, parei de culpar os outros pelos meus fracassos e fui eu mesma correr atrás do prejuízo. Prejuízo este que já consumia quase tudo em mim. Demorou, é verdade, mas a vida deu seu jeito. Bom mesmo é quando ela, a vida, dá-te uns sustos, presenteia-te com o real nu e cru na sua frente. E assim se fez.
Então, quando eu parei de espernear e quando o prejuízo e o remorso fizeram sua parte as coisas deslancharam. Voltei eu ao eixo, via as coisas claras como água. Pude me recompor. Então o tempo, meu fiel amante, veio-me presentear com o sossego do inesperado e com a calmaria dos sábios. Continuo eu a não saber nada da vida. A única coisa que sei é que meninas mimadas ficam de castigo na véspera do aniversário por não ter tido a paciência de esperar até o dia seguinte para abrir os presentes.  

sábado, 15 de março de 2014

Guerra

Quero tudo isso. Quero estar em todos os lugares. Quero gritar! Sentir o perigo da madrugada. Quero me embriagar de risadas. Quero estar rodeada de gente. Quero os sons que eu não sei discernir. Quero som. Quero musica alta. Quero estar rouca de cantar e surda de ouvir música. Quero o vento no rosto. Quero o frio da noite. Quero pessoas caminhando pelas manhãs. Quero correr. Voar. Alto, alto... porque o relógio também corre... meu tempo é curto. Meus dias são curtos. E vem rápido.
Não quero nada disso. Quero a palidez da parede do meu quarto. Quero a solidão. Quero a frieza das cobertas. Quero parar. Quero não querer por perto os ideais de eu que me assombram. Quero desacelerar. Quero chorar. Quero caminhar sozinha. Quero ir embora e não voltar. Quero cair. Cair. Lá no fundo... fundo... porque se o tempo é inimigo e se o futuro é previsível e inevitável, eu mereço sofrer. E vem rápido.

Quero a guerra. Faço a guerra. Vou com ela. E seja o lá que Deus quiser. 

Andressa Virgínia. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Querida Adriane...



Querida Adriane,
Estamos em Dezembro de 2013, à beirada de uma imensa porta onde está escrito em grandes letras douradas 2014. Isso mesmo 2014, e se olharmos para trás iriamos rir e ficarmos orgulhosas daquilo que construímos.
No bolso de cada um de nós está a chave que abre essa imensa porta que nos separa do futuro. Estamos prestes abri-la, com o coração cheio de expectativas, sonhos, e já, com muitas saudades.
A saudade é um negocio bem estranho. Ela me parece às vezes um pequeno espinho que entra no pé da gente vez por outra. A gente se esquece de que ele está ali, mas, em alguns instantes quando ele aperta, uma dor aguda dispara lembrando-nos de que ele sempre esteve ali. Mais estranho do que a saudade é o modo como ele se instaura dentro de nós. Sentimos saudades daquilo que vivemos, das lembranças loucas dessa existência, sentimos saudades do sentimento de totalidade que nos impregna quando estamos rodeados daqueles que gostamos. Eu compartilho com você aquilo que sinto, e acredito ser aquilo que você também sente, afinal, estamos ultimamente ligadas a um fio de esperança e pressa. Temos muita pressa de viver tudo, de ver, sentir, abraçar, estar perto. Porque sabemos que 2014 vêm com muitas realizações, mas, ele vem arrebatador e que, com certeza, o que nós temos hoje, não vai ser o que teremos no futuro.
Querida Adriane, eu estou pronta. Pronta para abrir essa imensa porta com a sua ajuda, e com a ajuda de todos os nossos amigos, companheiros de madrugada, confidentes unidos pela pressa de viver, e o que pode ser isso além de pura pulsão de vida? SOMOS A PRÓRPIA PULSÃO!
Que Dezembro seja generoso com você, como tem sido comigo. E que ano que vem tenhamos motivos para ter mais e mais pressa. E que você, querida e doce amiga, esteja comigo para viver e ver tudo isso.
PS: Seja pulsão de vida! 2014 vem ai... 

Andressa Vírgínia

domingo, 4 de agosto de 2013

Ventos de sol nascente.

O que vem em seguida vem com força. Já anuncia suas promessas, e me persegue. Parece ser diferente, parece que não vai se repetir nunca. E a ainda passa. O tempo passa, a menina que antes era daqui agora não é mais, ela já passou, como todos que um dia hão de ir também. Mas não há porque temer! Esse é o tempo da vitória, o tempo da promessa! Os anos se passaram como se passaram os verões. Quentes, cheios de lembranças. E essas lembranças, boas, ruins, lembranças, entretanto, são as que vão ficar. Apesar dos pesares, dos desafetos, dos laços desfeitos, dos reafirmados.
Eu tenho elaborado sobre tudo isso. Tenho feito lutos diários sobre essas perdas. Tenho feitos batismos de promessas com boas novas. E o que posso dizer... eu tenho vivido! Porque esse tempo, querido (des)afeto, esse tempo é nosso! Não há porque desperdiça-lo! Ele voa! Escapa por entre os dedos feito areia. Já disse o poeta.

Os bons ventos vêm chegando, vem com força, mas não vêm para ficar. Por isso, eu já estou colecionando pores do sol, borboletas e olhares. Esses sim vão comigo. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

raridade.


Só acaba quando todos os demônios forem exorcizados. Quando todas as lutas forem vencidas. E, agora, o que eu tenho feito é simplesmente sobreviver. Sobre a vida, sobre a rotina sobre as pessoas que assistiram ao vivo aos meus fracassos.
Então, eu não sou uma favorita. Eu não faço parte da ilustre comissão de eleitos. Sou mais uma entre uma multidão de sonhos, sou mais uma que tenta, sou apenas uma. E isso não é ironia, é a verdade. A verdade que lido todos os dias.
E, sinceramente, eu não ligo para os meus excessos. Não ligo para os meus exageros. Não ligo para eles porque eu sou feita de exageros, e quem fica do meu lado, chora e ri comigo. E-XA-GE-RA-DA-MEN-TE. Então, guarde sua caridade para quem precisa. Eu preciso é de gente exagerada como eu, que não tem medo de chorar, que não tem vergonha de ser-o-que-é.
Hoje achei a raridade da vida. Hoje eu a encontrei em uma manhã nublada em que os raios de sol timidamente invadiam a rua vazia. E eu assistia parada mais um dia que iniciava. É epifania. É a vida.

Andressa Virgínia

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sagitário



E então você chegou. Forte, imponente, metade gente metade cavalo. Chegou pra me recordar de um passado que nunca tive. E lá você de novo mexer no que me esforcei tanto pra esquecer. Você vem fazer ventania nos meus pensamentos, me fazer dançar, e, acredite me fazer pensar em destruir um império, só meu, que construí através dos anos. Eu sei bem do que você é capaz. Você é liberdade pura. Teimosia, valentia, exagero, arrogância, vento no rosto e sereno da noite. Você é lua minguante que sorri pra mim. Você é aquilo que me roubaram, você me rege até sem querer.  E quando você vem, passa como um furacão, forte, determinado e presente. E fica. Fica em mim durante semanas, impregnado como perfume barato, torturante como música ruim. Você fica pra me fazer lembrar que esse mundo não me pertence. Você fica pra me fazer lembrar que você não me pertence. E assim como o verão maltrata meu sertão, você vai maltratando meus dias, que ficaram descoloridos depois que você chegou, e saiu. Você vai e eu fico. Vai ser sempre assim. Não se engane.
E eu sei bem do que você é capaz, e tenho medo disso. Tenho medo de entrar nesse turbilhão de cores que é você. De entrar, não poder mais sair, me enganar, me perder, me arrepender. Eu sei bem quem é você. Você sou eu, Sagitário. Você sou eu porque eu também sou Sagitário. Sagitário tem disso. Tem necessidades de doses cavalares de vida todos os dias. Mas Sagitário não quer só viver. Quer um viver mais-que-perfeito. Então, você que é pura liberdade, vai de encontro aos meus dias de rotina cinzentos. Mas você passa. E eu, eu tenho que ficar.

Andressa Virgínia 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As árvores do sertão não estão mortas.


Aquele é o tempo em que o sertão está morto. Refiro-me as árvores que, como fantasmas, assombram a paisagem, assustam os olhos. As arvores do sertão estão mortas. Não há uma gota sequer de vida em suas folhagens. É essa a visão de que vê o sertão inteiro. Essa é a visão de quem não chega perto, de quem não se apropria desse chão. No entanto, é só se aproximar, só chegar mais próximo, ao caule dessa árvore para notar que ela ao esta morta. Sim, as arvores do sertão não estão mortas. Elas adormecem em meio à clareza de uma estiagem que quase não acaba.
De sertão são feitas as pessoas, quando olhadas de longe por inteiro, parecem mortas. Parecem que ainda não acharam um motivo fiel para continuar. No entanto, você incrédulo, as mulheres do sertão não estão mortas. Há muita vida em suas veias, assim como há muita vida nas rachaduras das folhas das copas. 

Andressa Virgínia

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Aquilo que nunca a pertenceu.


A história dela sempre foi contada pelo fim. Nunca houve um começo. Para que ela escreva, ela tem que descobrir algo. E descobrir que aquilo que pensava ser, estar e participar, e que, na verdade nunca a tomou. Ela nunca estive ali. Ela nunca foi de dentro daqueles ares. Quando se descobriu, quando pode enfim, cair do penhasco o qual já estava na beirada, pode perceber que não podia mais ser dali... tinha de sair, ir embora. Não voltar. E é isso que vai fazer. A partir de tudo isso que pode compreender estar o mais rápido possível longe daquele lugar, para ela, vai ser bem menos dolorido. Hoje dói. Amanha cicatriza. Foram assim, as duras penas, que aprendeu a se virar, da maneira que quis do jeito que dá. E sempre há, alguém que lhe estenda a mão. Nunca lhe faltou ombros para que pudesse dividir seus pesares, suas lamentações, e as aflições desiludidas de falsas esperanças em futuros melhores.

Aquilo que nunca a pertenceu vai continuar ali parada, estática, continuando a não lhe pertencer. Resta apenas a lembrança daquilo que ela sempre desejou que fosse. Um lugar pra onde pudesse retornar. Agora não. Ela não tem mais para onde voltar, e de novo, esta só. Mas é provisório. É por pouco tempo.  E há de ser um historia que será contada por inteiro, com inicio e final. 

Andressa Virgínia

terça-feira, 10 de julho de 2012

A Casa Vazia


Não é de se estranhar que ela seja assim. Ela diz que prefere a casa vazia, que prefere ouvir seus próprios passos, ela deseja falar só. Porque ela só consegue se concentrar no silencio do vento que invade o quarto e embala seus sonhos.

Ela que vivia na colorida presença cheia da gritaria diária, prefere hoje, colorir seus dias ao sabor da ventania das janelas, prefere concordar, acordar e discordar de seus pensamentos, e acha muito digno, dar nós bem apertados nas tristezas e jogá-los pela janela, onde os carros correm em suas corridas contra o tempo. Quando a casa está vazia ela canta junto com os pássaros canções que nunca ouviu.

E essas janelas desta casa silenciosa, sempre estão abertas. Para o entra e sai da ventania das palavras, e dessas poesias de uma (des)poeta.  E não creia, caro, que assim ela é infeliz, ao contrario! Ela é bem feliz assim. Vai entender? São coisas da vida...

Andressa Virgínia

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dois!


Indiscutivelmente o número 2 me faz problemas sempre houve algo de bonito nessas questões... esse nosso corpo é duplicado, em todos os sentidos. Nós temos dois olhos, dois ouvidos, dois pulmões, duas mãos.  Precisamos socialmente de uma outra pessoas para fazermos um par, um par que se comunique, que se incremente, e que se faça com duas pessoas um laço! Há  algo muito especial nos braços e nos abraços... eles formam mais que pares de braços, forma laços em pessoa! E, para essa nossa conversa, caro, nós também temos dois braços.
Duas pessoas que se afetam, duas pontas de laço, dois pares de braços que se abraçam... dois anos de blog! Bom, tenho que confessar, e que o destino propôs, o aniversário do blog foi ontem, dia 2 de maio! Mas aqui estou eu a reavivar esses dois anos de intensa vivencia, de real sentimento sobre este meu maior mimo!
Que de dois em dois, nós, eu e vocês, pares nesse mundo, reavivamos esses nossos laços!
Abraços entrelaçados de braços a nós! 


Andressa Virgínia

domingo, 22 de abril de 2012

Sinos de Vento.


Indiscutivelmente, o lugar pra onde vou tem cheiro de chuva. Este meu céu nublado não nega minhas raízes. Eu vim do solo úmido, do vento frio, vim das coisas difíceis. Respondo mal. Sou grossa. Meus escândalos, tão vulneráveis, falam mais sobre mim do que eu mesma, do que meus escritos... do que essas palavras desconexas em um discurso de um sujeito que ainda não sabe a quem agradecer.

Quando volto, refaço-me. Quando volto, sinos de vento me recebem da sacada de uma varanda desconhecida. São eles que me reconhecem. Não há julgamentos, não há fins
.
Eu ando escrevendo pouco, e caminhando sozinha muito. Deve estar aí à resposta. Caminhar sozinha demais cansa.  No entanto, caríssimo, é ora de reorganizar o discurso, alinhar a postura, esquecer a doença.

É hora de voltar a escrever.

Andressa Virgínia 

sábado, 3 de março de 2012

Carta a um amigo distante.

Caro amigo,

Quando Abril chegar, quero que chegues também. É chegada a hora de estreitar os laços, e ouvir as vozes. Há muito mais distancia entre nós, do que um dia eu pude supor. E a quilômetros também. Muitos. Se a vida tem sido complicada, saibas que não estás completamente solitário nessa jornada. E se a vida é de fato, complicada, saibas também, que não fizeste esta descoberta sozinho. A vida está sendo complicada para todos. No entanto, caro, há momentos em que devemos celebrar. E não há graça nem beleza celebrar emudecido. Por isso eu quero que venhas logo. Mesmo que, para que tu possas vir, demore uns dias, talvez semanas.
Penso, que na tua jornada de volta, possas enxergar muita névoa no caminho. É normal. É necessário vencer a escuridão de uma noite triste, para que o sol possa brilhar novamente. Também entendo que tu possas vir com várias cicatrizes, de outrora. De anos na distancia, de quilômetros que nunca foram vencidos, mas aqui, caro amigo, há pessoas dispostas a ajudar e a contar tuas cicatrizes, para que juntos as coloquemos em papel.
Mas para que tu possas vir em paz, é preciso que venhas desarmado. Não existe rancor deste lado. E a única pessoa capaz de estagnar tua evolução és tu mesmo. As palavras já foram ditas, e uma vez ditas, jamais retornam. Por isso, para que tu inicies teu retorno, é necessário que venhas sem malas, sem pesos, sem documentos. Existe algo muito peculiar nas tomadas de decisões. Por mais que escutemos as vozes alheias, no final, a decisão é unicamente tua, e de mais nada adiantará as opiniões de outros. Mesmo assim, caro amigo, quero que retornes. Cedo, ou tarde. Hoje ou amanha. Porque não importa mais o que o rio já levou. Novas águas sempre limpam antigas pedras. E o que mais me importa, nesse instante, é saber que Abril chegará, e tu também.

De outro, que muito te estima.

Andressa Virgínia

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

indefinições.

‎"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando [...] Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada. Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro... "


[Clarice Lispector]


Por hora a gente vive do que escreve. Bota pra fora as dores, as cores e os devaneios. Até porque não teria a menor graça escrever sobre o cotidiano comum. Bom mesmo é ver as palavras brilharem, é sentir o incomodo das pessoas...
Queria Deus eu não me importasse. Queira Deus fosse realmente simples. A verdade, é que não gosto de simplismos. Sou sagitariana, sou feita de excessos.  

Andressa Virgínia

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Ano do Dragão.

Este é um relato atemporal de mim mesma. Não há personagens, não há outras vozes. Há um grito. Um grito de quem iniciou o ano do dragão com muitas historias para contar. Esta pessoa que escreve poderia sim, ser considerado um personagem, no entanto, há implicações que me elevam a patamares maiores que este. Há sangue nas veias, e dor. Muita.
Eu cai. Literalmente. Meus pensamentos caíram, minha voz caiu, um grito afogado de lágrimas e más interpretações foi o que me restou. Alias, há de restar. Essa historia não tem final, aguas que não são de março, mas sim de dezembro, retrocederam. Dezembro, um mês que não volta. Assim como a musica cantada, e as palavras ditas, que uma vez dita são tatuagens dos ventos, só existem na respiração e na memoria das pessoas.
No entanto meu caro, meu êxtase não está em encontrar outras pessoas, não está em deitar-me a relva de ares quentes. Meu êxtase está no escrever. No sentir faltar-me sangue nas mãos, elas estão frias, como se eu escrevesse e morresse ao mesmo tempo, o que, de fato, existe. Escrevo para morrer em mim. Só assim renasço em outras vidas, com outros ventos.
As vezes, quando se torce o tornozelo, torcem-se outras coisas. E nesse vai-e-vem de quedas e dor, a gente acaba ficando mais tempo do que se esperava. A gente desfaz e faz mais laços que planejava. E passa madrugadas esperando acordar e ter um bom motivo para continuar.
Há muito no que aprender na solidão. Porque não há solidão quando aprendemos a estar-em-si. A viver-de-si. Mesmo que não existam bons almoços nos dias que se seguem. Eu si disso, porque eu sou isso. A incoerência difícil de dias difíceis.
E Deus, na sua infinita existência, presenteia-me todos os dias com o dom da possibilidade. Sim, caro, eu cai. E as dores de quedas como essa são bem ruins e dolorosas, no entanto, eu já estou pronta. Para cair novamente quem sabe, mas não para aguentar as mesmas desculpas, os mesmos relatos fracos. Eu tenho mil e uma cicatrizes. Mais uma, é mais uma história. E mais uma história é mais uma cicatriz, eis o preço que eu pago para pode enxergar com mais clareza, para poder crescer.
Eis o ano do dragão. Eis o fim e o inicio. Dezembro de fim e Janeiro de inicio. E agora é Fevereiro, e o carnaval, há de fazer-me bailarina de mim.

“[...]Passo as tardes tentando lhe telefonar...
Cartazes te procurando,
Aeronaves seguem pousando, sem você desembarcar[...]”

Andressa Virgínia

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Epifania em Dezembro.

Dizem que o mês de Dezembro é um mês de clichês. A verdade, é que no mês de Dezembro, as pessoas se dão conta de que o tempo está passando e que não viveram metade de vida que queriam. Eu, congestionada de afazeres, de responsabilidades, nem me lembrava mais das lindas lembranças que este mês me presenteava.
Então, eu fui empurrando pra frente, escondendo de mim, calcificando e transformando em pedras, os meus sentimentos. E foi no dia 18 de Dezembro, que cai. Cai em mim. Caramba é Dezembro! E no meio da multidão de uma praça cheia de luzes, me senti só. Olhei para o céu, e a lua cheia e cintilante, sozinha também, era a única que entendia meu pesar. Olhar para o céu era a única opção... e como se fosse mentira, vi ao longe uma estrela cadente. Pequena, franzina, quase sem luz. Começou e terminou entre um piscar de olhos. Eu era como aquela estrela, faltava-me luz pra riscar o céu escuro. Faltava-me forças pra segurar as muralhas que querem me engolir diariamente.
Lembrei-me em um sobressalto; “O pedido menina, faz teu pedido!”. Não consegui me concentrar pra pedir qualquer coisa, lembro-me, antes de voltar, que pensei em ter mais vida, em viver mais cores... pensei em tranquilidade. E então, um filme correu em cenas velozes em minha mente. As risadas, as lágrimas, as saudades. Tudo de uma vez e ao mesmo tempo... de repente ali, tudo fazia muito sentido. Acordei.
Acordei, e no meio da multidão, um pequeno coro catavam músicas de Natal antigas. Estavam cantando uma canção que minha mãe me cantava na infância. Aí não pude segurar as lágrimas. Ali, em poucos minutos, vivi meu melhor Dezembro, meu melhor Natal.

Andressa Virgínia


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Tempo e o Rio.

"Mas o tempo é como um rio

Que caminha para o mar
Passa, como passa o passarinho
Passa o vento e o desespero
Passa como passa a agonia
Passa a noite, passa o dia
Mesmo o dia derradeiro
Ah, todo o tempo há de passar
Como passa a mão e o rio
Que lavaram teu cabelo..."
Maria Bethânia


Eu tenho realizado comigo, uma nova filosofia. Vive-se um dia de cada vez. Um dia. As coisas acontecem à medida que tem que acontecer. Imagine o que aconteceria se fossemos capazes de mudar o curso de um rio? Desastre maior iria acontecer, com certeza. O rio tem que correr naturalmente, os dias tem correr naturalmente. Nem eu, nem você, nem todas as pessoas do mundo são capazes de mudar um curso em evolução.  
O ser humano é um ser em evolução. Faz parte da historia de vida da sua espécie. Há na humanidade, e na amizade, traços puros de união, de evolução. Se vivemos em tempos de crise, a resolução está nas nossas próprias ações. Faz-se necessário unir, acoplar, colar, viver em calor humano. Se aquele ditado que diz “Uma andorinha só não faz verão” dou-me licença poética e o modifico a minha forma; “UM CORAÇÃO QUENTE E SOZINHO NÃO FAZ VERÃO”. 

Andressa Virgínia

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ainda sobre o 1º de Dezembro!





Homenagem linda da minha linda turma! Sem vocês não seria a mesma coisa... Realmente eu acredito que todos nós tínhamos que estar ali, no momento certo! Amo cada um! Obrigada por me fazerem tão feliz!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1° de Dezembro.

Haja folego. Pra viver mais um ano, pra correr atrás dos sonhos corriqueiros de um dia que parece não ter fim. Sim. Eu mato um, dois, três leões por dia pra ver só por alguns instantes um breve sorriso no teu rosto.  E quando o corpo emudece a voz não sai, as pernas pesam moídas, sentir de longe um calor diferente, aconchegante, oriundo não se de onde, não se por quem, isso, não tem preço. É o mês de Dezembro, com ventos quentes, em noites frias.  Com brilho nas ruas e nos olhos. Eu, desse jeito que sou, não poderia ter escolhido uma forma melhor de vir a este mundo... o mês de Dezembro cabe inteiro em mim. E eu o vivo, os outros  onze meses do ano. 

Andressa Virgínia

sábado, 29 de outubro de 2011

(mala)ndragem.

Há quem afirme que a pior parte de uma viagem seja o de fazer a mala. Eu discordo, para mim, seria a melhor parte. Minto. É a melhor parte. É o momento de se imaginar andando por entre o ambiente em que está prestes a conhecer, imaginar os rostos das pessoas, como elas andam, o perfume que exalam... imaginar se o sol, é mais bonito por este ou aquele ângulo. Fazer a mala é estar lá, sem se estar... é uma das poucas oportunidades de se estar de fato em dois lugares ao mesmo tempo. É voar. Por que, na maioria das vezes, minha vida é bem mais interessante na minha imaginação, às pessoas de lá são bem mais doces. 
E de se pensar que no retorno, ser recebido por um abraço, seria mais que mil noites de Natal. Por que se não fosse os amigos. Eu seria órfã em espirito. 

Andressa Virgínia