segunda-feira, 2 de maio de 2011

Em uma volta, um ano.

Por todos os lados incorpora-me o tempo. Tempo de voláteis inconstâncias. Em uma volta, um ano. Em um ano tantas histórias. 

Dizem que na vida um ano passa rápido, e que quanto mais os anos passam mais as pessoas se perdem no tempo.  No entanto, errados são os que o tentam atropelar. O tempo é maior que nós, maior que as vontades e os desejos. É senhor de si. Resta-nos somente o acompanhar. Acompanha-lo em voltas. Em nós, laços e tranças.

Em um ano uma volta, ou duas... em um ano um laço talvez! Em um ano entrar em um mundo que antes era só meu e que eu nem sabia que existia. Em um ano, abrir em flores e dores o coração de garota afetada. Porque minha gente, em um ano eu comprovei. Dar nós é fácil, cortar nós é fácil. Difícil mesmo é dar laços, cortar laços. Difícil é desapegar, desviciar, desadrenelizar.

Difícil é esquecer. O passado, os amigos, as dores, as paixões. E quem disse-lhe caro, que tudo isso também não são laços? Crede. 

Tomei pra mim a missão, de desvendar em minhas antigas agendas lembranças só minhas. Pequenos devaneios de uma vida ainda por viver. Hoje é o primeiro dia do inicio do final da vida. É assim, todos os dias. E o senhor Tempo que me perdoe. Serei eu, portanto, a cavaleira a desafiar-te.
E se no final, não entenderes, não te preocupes. Porque minhas palavras são se cetim. Com elas faço laços coloridos de poesia infinita.

Que das voltas que faço mais laços se saiam! 

Vamos dar mais uma volta? Duas, ou três?

Andressa Virgínia

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Vômitos

Certamente você não vai poder me dizer. Não adianta. Sabe por quê? Porque no reflexo do espelho as pessoas vêem um gigante violento, mas, que no seu infinito devaneio não passa de uma criança órfã de afeto. Sem afeto e afetada. Cheia de transtornos, bipolar de conhecimento. Nascida da confusão das pessoas.
As palavras faladas são voláteis demais. Soltas fazem estragos. É melhor, companheiro que tu me digas, sem rodeios, enfim, o que se passa na tua alma perturbada de gente. Mas se puderes escolher, escreve. Porque é na escrita que tua aura grita e brilha.
Caro, a palavra escrita é visceral. É vomitada. Sai de dentro, em força de vulcão. E você nem pode querer segurar. A todo instante vômitos de poesias fogem por entre os dedos das mãos. Uso de vômitos porque são expressivos, fortes e violentos, sem explicação por vezes.
E tu me perguntas, então, o propósito disto. Responder-te-ei, caro. Não há propósito algum. E se houver, marcaremos um dia de domingo à tarde para tomar chá. Pois é só nos domingos que me permito pensar.


Andressa Virgínia 

 

domingo, 17 de abril de 2011

Sobre a dor.

A dor não quer dizer nada. Ela só está ali pra te fazer sentir. Seja esse sentimento qual for. A casa lotada é reconfortante, te segura, te faz enxergar que tu não estás sozinho, que amigos, vizinhos, familiares existem. Mas a dor fica. Ela perdura. E o coração sangra, dói. E tu entenderes nada, entras em estado de confusão. Uma confusão quase infinita. A finitude dessa vida está no infinito das dores. Ou, na aparência infinita que ela  têm. Mas tranquilize-se caro, a dor sentida, vivida, é mais que aprendizado. É cicatriz. Cicatrizes que te levarão ao mais alto patamar de conhecimento sobre ti mesmo. E quando tu compreenderes a cicatriz, é  fechado mais um ciclo da tua vida. A vida que é redonda. É cíclica. Tão cíclica que dor e felicidade por vezes se esbarram. É este o mistério.

Andressa Virgínia 

terça-feira, 22 de março de 2011

Poesia.

Não vejo melhor legenda, do que o minha cara de felicidade na foto... :)
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
...inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Para sorrir, presentear, colorir e aproximar.


Fazer com que o outro sorria, dê risada, é como dar presentes. A gente se prepara para fazer o outro rir, usa de artimanhas, tenta conhecer aquilo que o outro gosta, para agrada-lo, fazer com que se sinta confortável, e ver o outro sorrir com o presente oferecido se torna tão grande quanto o próprio ato de dar o presente.   
Presentear, e me fazer de presente. Doar-me. O teatro me ensinou que não a nada mais puro na arte, seja ela qual for, do que a doação. Entregar-se as energias, saltar do precipício, sentir a adrenalina correr nas veias. Rir.

Penso que me tornarei mais palhaça. Que farei mais caretas nos espelhos e nas vitrines das ruas ou talvez que vou brincar mais vezes com minha irmã na rua. Mas de uma coisa tenho certeza. Já sinto uma mutação. O nariz do palhaço já me infectou. Há paixão e cores em minha alma.
Estou à procura da risada perfeita. Ando procurando muito mais que isso, os amigos para compartilhar esses presentes. Ando atrás do presente perfeito. Da mutação perfeita que vai me fazer pirar em devaneios, por entre a purpurina e os brinquedos infantis. Estou procurando a forma mais pura de exercer aquilo que nasci para fazer, aquilo que só sei fazer.