sábado, 29 de outubro de 2011

(mala)ndragem.

Há quem afirme que a pior parte de uma viagem seja o de fazer a mala. Eu discordo, para mim, seria a melhor parte. Minto. É a melhor parte. É o momento de se imaginar andando por entre o ambiente em que está prestes a conhecer, imaginar os rostos das pessoas, como elas andam, o perfume que exalam... imaginar se o sol, é mais bonito por este ou aquele ângulo. Fazer a mala é estar lá, sem se estar... é uma das poucas oportunidades de se estar de fato em dois lugares ao mesmo tempo. É voar. Por que, na maioria das vezes, minha vida é bem mais interessante na minha imaginação, às pessoas de lá são bem mais doces. 
E de se pensar que no retorno, ser recebido por um abraço, seria mais que mil noites de Natal. Por que se não fosse os amigos. Eu seria órfã em espirito. 

Andressa Virgínia

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Estudantes de Psicologia da UFC - Campus Sobral - Em Greve!


  1. Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) em pleno funcionamento;
  2. Psicólogo técnico para o SPA;
  3. Laboratório Experimental e Biotério, assim como técnico bioterista;
  4. Bibliografia básica na biblioteca;
  5. Quantidade adequada de professores.
Todos estes quesitos citados acima são condições básicas para qualquer curso de Psicologia funcionar com legalidade. E no entanto, nós, em uma universidade federal, não temos. Portanto, TODOS OS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA ESTÃO EM GREVE POR TEMPO INDETERMINADO! ISSO INCLUI TODAS AS EXTENSÕES, TODAS OS ESTÁGIOS E QUALQUER ATIVIDADE VEICULADA AOS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA! Por motivos políticos, por nossos direitos. Esperamos poder contar com a compreensão de todos, para que o nosso movimento se fortaleça e que as nossas vozes possam ser escutadas. Afinal, somos todos estudantes, e o que queremos são os nossos direitos respeitados, para que possamos ser profissionais dignos da profissão que exerceremos! 

sábado, 1 de outubro de 2011

Isso

Por enquanto ando mais desse jeito, sabe. Só. E as pessoas ao me verem sozinha se surpreendem. Até eu me surpreendo! Então esse cordão umbilical que nos mantinha unidos, certamente já se rompeu. Não sei... esse fluxo de intensidades ainda continua o mesmo. Acho que não nos rompemos, nos alargamos! Para que caiba mais braços, nos abraços! E que os perfumes, que eram antes misturados, desfaçam-se e personifiquem-se em excessos de saudade! Isso é felicidade. Isso é saudade.

Andressa Virgínia

E se for a felicidade?

sábado, 13 de agosto de 2011

A Boa Criminosa*

‎"Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura. De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. E a minha lucidez é que é perigosa."
Clarice Lispector


Saiu do quarto desequilibrada, doente. O mundo girava muito rápido aquela noite, e o sol já despontava no horizonte. O sol era a única testemunha daquele evento. O sol e ela. Ele, já não existia mais, já tinha ido. Não sei pra onde. Não sei aonde vão aqueles que perderam a vida.
No quarto, o cheiro de perfume barato era forte. Ela acendeu um cigarro e foi a cozinha. O vestido de noiva sujo de sangue era observado de longe, jogado por cima do sofá da sala.
A cabeça dela doía. Ela por inteiro estava moída. Ela olhou pelas venezianas da janela, viu que o sol estava a gritar forte, sentiu o primeiro julgamento.

Ela ardia em devaneios. Enlouquecida. Ainda na cozinha abriu todas as bocas do fogão, deixando escapar o cheiro forte do gás. Queria fugir do perfume barato, do cigarro. Foi até a sala, onde ele guardava os discos velhos, que antes, na época das vacas gordas, eram o melhor passa-tempo de ambos. Ouvir discos antigos. Catou um velho disco de Caetano, colocou-o na vitrola quase centenária. Ao som de Caetano, dançou sua última valsa...
O gás já de espalhava sobre o pequeno apartamento. O cheiro já se sentia de longe. Caetano cantava alto e ela também. Quando sentiu-se pronta. Acendeu o último cigarro. Caetano cantava alto, ela gargalhava alto, e o fogo consumia o apartamento. Então fez-se o silencio da música, ouvia-se o choro da dor. Estava acabado. E por fim, não ouvia-se mais som algum... só o do fogo.


Andressa Virgínia 



*Xistes a parte, eu devia a mim um texto cheio de loucuras como esse. E quem disse, que isto é loucura? Pode então ser uma realidade invertida...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

(des)recalque.

Lembrar e esquecer.
Acordar e adormecer.
Recalcar e (des)recalcar.
Vivo destes neologismos bobos, Maria.
Porque viver já é neologicamente possível.
E (des)recalcar, só é de se existir, porque Freud me permitiu.

Andressa Virgínia