sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pra não esqueçer.

 
"Parece-me que, no meu orgulho, eu não queria ter sido escolhida para servir de anjo... A verdade é que ser anjo estava começando a me pesar... Conheço bem esse processo do mundo: chamam-me de bondosa, e pelo menos durante algum tempo fico atrapalhada para ser ruim... Quem sabe, até, eu era só aprendiz de anjo...eu não era um anjo decaído: era um anjo que caía em si. Caí em mim e fechei a cara... Mas fiquei calada, aguentando o peso das minhas asas...minha espontaneidade é faca de dois gumes também para os outros..." 
 
Clarice Lispector

 

 

domingo, 25 de julho de 2010

Identidade.



Eu sou como o sol que brilha, sem pedir nada em troca
distribuo luz por onde passo...
Eu sou como os pássaros que não sabem aonde vão...
mas sabem que um dia chegarão.
Eu quero mais, mais que antes, mais que ontem
sou intimamente feita de retalhos de sorrisos alheios...
E você? Sabe que dia é hoje?


Andressa Virgínia

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Desacordar.


"Estou dentro dos grandes sonhos da noite: pois o agora já é de noite. E canto a passagem do tempo: sou ainda a rainha dos medas e dos persas e sou também a minha lenta evolução que se lança como uma ponte levadiça num futuro cujas névoas leitosas já respiro hoje. Minha aura é mistério de vida. Eu me ultrapasso abdicando de mim e então sou o mundo: sigo a voz do mundo, eu mesma de súbito com voz única."


Clarice Lispector

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tô falando é de AMIZADE!

Oiie gente lindaa! Sabem que dia é hoje? Sabem, sabem? É dia 20 de Julho! Dia do Amigo. Um dia que meche demais comigo, um dia pra encontrar velhos amigos, abraçar e dizer, "cara, você é muito importante pra mim..." eu já havia comentado há alguns post atrás que sempre desejava dias de sol aos meus amigos, e de fato como prometido, passei a desejar aos amigos mais de de sol.
Eu confesso que quando se fala em Amizade eu tenho muitas histórias pra contar. Momentos únicos que ficarão eternamente guardados em minha memória, aprendi com a Amizade a deixar os amigos livres, e é essa liberdade a grande magia da amizade. Deixar livre para que eles voltem pra você, voltem para o lugar de onde nunca deveria ter saido!

Bom, e eu poderia ficar falando horas e horas de amizade. Porém, para o dia de hoje eu deixo o Mestre falar. Esse é o trecho de um texto belíssimo de Willian Shakespeare, particularmente o trecho que eu mais gosto. Espero que gostem também!


"[...] Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa…
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas;
pode ser a última vez que as vejamos. [...]"

Willian Shakespeare



Ps: Kéércio meu querido! Em homenagem a você como prometido!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
    Fernando Pessoa

domingo, 11 de julho de 2010

Nostalgia



A nostalgia tem me feito visitas ultimamente... e eu já sei a razão. É o dia 13 de Julho que se aproxima. Aniversário de fundação da minha Cia. Teatral Caras e Bocas. Dá-me um aperto no peito quando olho pra trás e vejo meus longos 3 anos de estrada com meus queridos companheiros de palco, ao mesmo tempo, sorrio, e vejo a que a magia do teatro não acabou e que a minha cidade está muito bem representada culturalmente.
Não escondo de ninguém a minha paixão pelos palcos. Literalmente cresci neles. Minha infância e adolescência foram marcadas nas coxias, na poeira das estradas e colorida de muita maquiagem. E com certeza, devo aos palcos o que me tornei hoje. Uma garota forte, de voz firme e de passos largos. No dia 13, minha Cia. Vai fazer 5 anos, de muita historia, de muita cor e de muita amizade, e tudo o que eu quero é estar lá presente, recordar os momentos incríveis que vivi e me emocionar mais uma vez, como das tantas outras vezes.
E esse é meu humilde presente de aniversário. É o meu depoimento. É a minha maneira de dizer o quanto EU AMO, AMAREI, E VOU CONTINUAR A AMAR o teatro e toda essa sua magia de fazer chorar os mais insensíveis.
Parabéns meus companheiros! Que os deuses escondidos nas coxias empoeiradas do nosso auditório continuem a emanar energias positivas a todos vocês. EU OS AMO!

Andressa Virgínia


PS. A festa de aniversário vai ocorrer nos dias 12 e 13 de Julho no CRAS de Reriutaba a partir das 19h. Sintam-se convidados!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

(Re)inventar.

Reinvenção
 
A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles