terça-feira, 23 de abril de 2013

raridade.


Só acaba quando todos os demônios forem exorcizados. Quando todas as lutas forem vencidas. E, agora, o que eu tenho feito é simplesmente sobreviver. Sobre a vida, sobre a rotina sobre as pessoas que assistiram ao vivo aos meus fracassos.
Então, eu não sou uma favorita. Eu não faço parte da ilustre comissão de eleitos. Sou mais uma entre uma multidão de sonhos, sou mais uma que tenta, sou apenas uma. E isso não é ironia, é a verdade. A verdade que lido todos os dias.
E, sinceramente, eu não ligo para os meus excessos. Não ligo para os meus exageros. Não ligo para eles porque eu sou feita de exageros, e quem fica do meu lado, chora e ri comigo. E-XA-GE-RA-DA-MEN-TE. Então, guarde sua caridade para quem precisa. Eu preciso é de gente exagerada como eu, que não tem medo de chorar, que não tem vergonha de ser-o-que-é.
Hoje achei a raridade da vida. Hoje eu a encontrei em uma manhã nublada em que os raios de sol timidamente invadiam a rua vazia. E eu assistia parada mais um dia que iniciava. É epifania. É a vida.

Andressa Virgínia

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sagitário



E então você chegou. Forte, imponente, metade gente metade cavalo. Chegou pra me recordar de um passado que nunca tive. E lá você de novo mexer no que me esforcei tanto pra esquecer. Você vem fazer ventania nos meus pensamentos, me fazer dançar, e, acredite me fazer pensar em destruir um império, só meu, que construí através dos anos. Eu sei bem do que você é capaz. Você é liberdade pura. Teimosia, valentia, exagero, arrogância, vento no rosto e sereno da noite. Você é lua minguante que sorri pra mim. Você é aquilo que me roubaram, você me rege até sem querer.  E quando você vem, passa como um furacão, forte, determinado e presente. E fica. Fica em mim durante semanas, impregnado como perfume barato, torturante como música ruim. Você fica pra me fazer lembrar que esse mundo não me pertence. Você fica pra me fazer lembrar que você não me pertence. E assim como o verão maltrata meu sertão, você vai maltratando meus dias, que ficaram descoloridos depois que você chegou, e saiu. Você vai e eu fico. Vai ser sempre assim. Não se engane.
E eu sei bem do que você é capaz, e tenho medo disso. Tenho medo de entrar nesse turbilhão de cores que é você. De entrar, não poder mais sair, me enganar, me perder, me arrepender. Eu sei bem quem é você. Você sou eu, Sagitário. Você sou eu porque eu também sou Sagitário. Sagitário tem disso. Tem necessidades de doses cavalares de vida todos os dias. Mas Sagitário não quer só viver. Quer um viver mais-que-perfeito. Então, você que é pura liberdade, vai de encontro aos meus dias de rotina cinzentos. Mas você passa. E eu, eu tenho que ficar.

Andressa Virgínia 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As árvores do sertão não estão mortas.


Aquele é o tempo em que o sertão está morto. Refiro-me as árvores que, como fantasmas, assombram a paisagem, assustam os olhos. As arvores do sertão estão mortas. Não há uma gota sequer de vida em suas folhagens. É essa a visão de que vê o sertão inteiro. Essa é a visão de quem não chega perto, de quem não se apropria desse chão. No entanto, é só se aproximar, só chegar mais próximo, ao caule dessa árvore para notar que ela ao esta morta. Sim, as arvores do sertão não estão mortas. Elas adormecem em meio à clareza de uma estiagem que quase não acaba.
De sertão são feitas as pessoas, quando olhadas de longe por inteiro, parecem mortas. Parecem que ainda não acharam um motivo fiel para continuar. No entanto, você incrédulo, as mulheres do sertão não estão mortas. Há muita vida em suas veias, assim como há muita vida nas rachaduras das folhas das copas. 

Andressa Virgínia

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Aquilo que nunca a pertenceu.


A história dela sempre foi contada pelo fim. Nunca houve um começo. Para que ela escreva, ela tem que descobrir algo. E descobrir que aquilo que pensava ser, estar e participar, e que, na verdade nunca a tomou. Ela nunca estive ali. Ela nunca foi de dentro daqueles ares. Quando se descobriu, quando pode enfim, cair do penhasco o qual já estava na beirada, pode perceber que não podia mais ser dali... tinha de sair, ir embora. Não voltar. E é isso que vai fazer. A partir de tudo isso que pode compreender estar o mais rápido possível longe daquele lugar, para ela, vai ser bem menos dolorido. Hoje dói. Amanha cicatriza. Foram assim, as duras penas, que aprendeu a se virar, da maneira que quis do jeito que dá. E sempre há, alguém que lhe estenda a mão. Nunca lhe faltou ombros para que pudesse dividir seus pesares, suas lamentações, e as aflições desiludidas de falsas esperanças em futuros melhores.

Aquilo que nunca a pertenceu vai continuar ali parada, estática, continuando a não lhe pertencer. Resta apenas a lembrança daquilo que ela sempre desejou que fosse. Um lugar pra onde pudesse retornar. Agora não. Ela não tem mais para onde voltar, e de novo, esta só. Mas é provisório. É por pouco tempo.  E há de ser um historia que será contada por inteiro, com inicio e final. 

Andressa Virgínia

terça-feira, 10 de julho de 2012

A Casa Vazia


Não é de se estranhar que ela seja assim. Ela diz que prefere a casa vazia, que prefere ouvir seus próprios passos, ela deseja falar só. Porque ela só consegue se concentrar no silencio do vento que invade o quarto e embala seus sonhos.

Ela que vivia na colorida presença cheia da gritaria diária, prefere hoje, colorir seus dias ao sabor da ventania das janelas, prefere concordar, acordar e discordar de seus pensamentos, e acha muito digno, dar nós bem apertados nas tristezas e jogá-los pela janela, onde os carros correm em suas corridas contra o tempo. Quando a casa está vazia ela canta junto com os pássaros canções que nunca ouviu.

E essas janelas desta casa silenciosa, sempre estão abertas. Para o entra e sai da ventania das palavras, e dessas poesias de uma (des)poeta.  E não creia, caro, que assim ela é infeliz, ao contrario! Ela é bem feliz assim. Vai entender? São coisas da vida...

Andressa Virgínia

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dois!


Indiscutivelmente o número 2 me faz problemas sempre houve algo de bonito nessas questões... esse nosso corpo é duplicado, em todos os sentidos. Nós temos dois olhos, dois ouvidos, dois pulmões, duas mãos.  Precisamos socialmente de uma outra pessoas para fazermos um par, um par que se comunique, que se incremente, e que se faça com duas pessoas um laço! Há  algo muito especial nos braços e nos abraços... eles formam mais que pares de braços, forma laços em pessoa! E, para essa nossa conversa, caro, nós também temos dois braços.
Duas pessoas que se afetam, duas pontas de laço, dois pares de braços que se abraçam... dois anos de blog! Bom, tenho que confessar, e que o destino propôs, o aniversário do blog foi ontem, dia 2 de maio! Mas aqui estou eu a reavivar esses dois anos de intensa vivencia, de real sentimento sobre este meu maior mimo!
Que de dois em dois, nós, eu e vocês, pares nesse mundo, reavivamos esses nossos laços!
Abraços entrelaçados de braços a nós! 


Andressa Virgínia

domingo, 22 de abril de 2012

Sinos de Vento.


Indiscutivelmente, o lugar pra onde vou tem cheiro de chuva. Este meu céu nublado não nega minhas raízes. Eu vim do solo úmido, do vento frio, vim das coisas difíceis. Respondo mal. Sou grossa. Meus escândalos, tão vulneráveis, falam mais sobre mim do que eu mesma, do que meus escritos... do que essas palavras desconexas em um discurso de um sujeito que ainda não sabe a quem agradecer.

Quando volto, refaço-me. Quando volto, sinos de vento me recebem da sacada de uma varanda desconhecida. São eles que me reconhecem. Não há julgamentos, não há fins
.
Eu ando escrevendo pouco, e caminhando sozinha muito. Deve estar aí à resposta. Caminhar sozinha demais cansa.  No entanto, caríssimo, é ora de reorganizar o discurso, alinhar a postura, esquecer a doença.

É hora de voltar a escrever.

Andressa Virgínia