quarta-feira, 22 de junho de 2011

Junho Mutante,



Os dias de desfigurar seguem-se. Desfigurar os sorrisos e as lágrimas. Fingir sorrir, longe de você, é complicado. Esconder-me no quarto, sorrir nas fotos, ver as tardes mutantes de um mês de Junho frio. Eis meus dias de finitude de ideias.
Nem a poesia me enche de graça. Nem meus livros empoeirados nas minhas estantes. Nem os filmes antigos. Nem as fotografias que nunca tiramos. Nem eu.
Que esse Junho passe. Que a mutação termine. E que a lua no céu possa me explicar o que sinto.

Andressa Virgínia

terça-feira, 21 de junho de 2011

A um ausente.

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Eu não sabia que existia...


Não sabia até sentir pela primeira vez. Quando a saudade me visitou levei um susto, não sabia que era tão fria. Tão fria como a face polida de um espelho. Ela chegou e não quis mais sair, chegou e não teve fim, chegou pra ficar e me enlouquecer.
E enlouqueci.
Não sei mais pra onde vou, com quem vou... os dias andam devagar. As noites teimam comigo nas angustias e nas insônias. Minha única companhia é a saudade. Trêmula, muda e totalmente incapaz de pelo menos dizer que daqui a algumas semanas você vai voltar e preencher de afeto essa frieza.
E encher de luz meus dias de cinza. E fazer parar de sangrar meu coração desacostumado. 

Andressa Virgínia

sábado, 7 de maio de 2011

Prepara-te


Querido, prepare a mesa, hoje temos visitas.
De todas as rotas, todos os ventos, teu nome vem dançar nos meus ouvidos.
Então prepara-te.
Prepara-te para correr de alegria, para sofrer de desgosto e para te quebrar, até.
Mas coração, nem te preocupes com isso. Sou tão cicatrizada que uma pancada a mais ou a menos
nem se sente mais.
Mais prepara-te. O vestido colorido já está a tua espera. A nossa espera.
Esperando em flores douradas um dia inesquecível.
Princesas contemporâneas vão à guerra sem esperanças.

Andressa Virgínia

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Em uma volta, um ano.

Por todos os lados incorpora-me o tempo. Tempo de voláteis inconstâncias. Em uma volta, um ano. Em um ano tantas histórias. 

Dizem que na vida um ano passa rápido, e que quanto mais os anos passam mais as pessoas se perdem no tempo.  No entanto, errados são os que o tentam atropelar. O tempo é maior que nós, maior que as vontades e os desejos. É senhor de si. Resta-nos somente o acompanhar. Acompanha-lo em voltas. Em nós, laços e tranças.

Em um ano uma volta, ou duas... em um ano um laço talvez! Em um ano entrar em um mundo que antes era só meu e que eu nem sabia que existia. Em um ano, abrir em flores e dores o coração de garota afetada. Porque minha gente, em um ano eu comprovei. Dar nós é fácil, cortar nós é fácil. Difícil mesmo é dar laços, cortar laços. Difícil é desapegar, desviciar, desadrenelizar.

Difícil é esquecer. O passado, os amigos, as dores, as paixões. E quem disse-lhe caro, que tudo isso também não são laços? Crede. 

Tomei pra mim a missão, de desvendar em minhas antigas agendas lembranças só minhas. Pequenos devaneios de uma vida ainda por viver. Hoje é o primeiro dia do inicio do final da vida. É assim, todos os dias. E o senhor Tempo que me perdoe. Serei eu, portanto, a cavaleira a desafiar-te.
E se no final, não entenderes, não te preocupes. Porque minhas palavras são se cetim. Com elas faço laços coloridos de poesia infinita.

Que das voltas que faço mais laços se saiam! 

Vamos dar mais uma volta? Duas, ou três?

Andressa Virgínia